quarta-feira, 29 de junho de 2011

...frio...





...o valor das coisas... não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem...por isso ...existem momentos inesquecíveis...coisas inexplicáveis ...e pessoas incomparáveis....

                                    Fernando Sabino



 Monet



...ontem...



...ontem...terça-feira...fui  à Paranavaí ... cedinho...   faço esse caminho desde que nasci...morava  em Alto Paraná com minha avó . Visitava minha casa de vez em quando. Porque ?Contarei depois.Meu caminho...estava longo e frio...não era somente o frio de inverno ...também da minha alma... a pastagem estava branca...um tapete de gelo ..lindo...estacionei... desci...passei a mão sobre o gelo...como se quisesse... pegar meu passado...lembrei-me do  Negão do Surucuá”...conversei com ele  certa vez...sua historia ...incerta...pode ser fruto de  seus delírios...  gostava de musica ...disse que era musico... tinha algo a esconder...com certeza... chegou a me dizer  que fugiu do amor...acredito? E ai  Romeu...  o que me diz ?   ... em um dia de inverno... o morador do rio... desapareceu ...sua morte ...misteriosa ...como sua vida...e o seu amor ...existiu?
Será saudade?...lembrei-me de meu pai... senti sua presença... quando vi todo aquele gelo....era filho de pequeno agricultor...muitos irmãos...a alimentação da família era com o recurso que a pequena propriedade ofertava...ou produzia... minha avó  italiana...tinha habilidade com massas...lembro-me do  pequeno  quarto onde era armazenada a farinha de trigo...dizia ..que era ...por precaução.... o que significava ...não sabia....não entendia.Hoje... sei ...o quanto era importante aquele armazenamento para uma família numerosa...frango no terreiro... não faltava...achava aqueles frangos... magros... com cara de doente...eles não tinham cores...lembro que eram pintadinhos...  de branco .. .todos iguais... um corre ...corre para pegar...o urucum....dava a cor final no prato do dia...que magia...
 Na pequena propriedade  tinha plantação de café...no intervalo ...chamado de ruas...plantava-se ...  arbustos  de pequeno porte... frutas...cereais...abobora...milho.
Com aproximação do inverno chegava as preocupações...um temor ....geava forte ..todos os anos...meu pai... não morava mais por perto...e...quando geava  ...no dia seguinte  ...ela ia ver o que tinha acontecido por lá. Voltava muitas vezes desanimado...não entendia ...hoje ...sei ...tempos... difíceis...Durante o período  em que fiquei  ali...parada ...no frio de congelar...senti todas  preocupações de meu pai...e o porque  das suas aflições...meus avós... residiram naquele lugar até o terminarem sua caminhada por esse plano terreno...percorri ... através de pensamentos... por um labirinto...de saudade...  pouca esperança... muita esperança...conheci uma senhora que   chamava  Esperança... ela não tinha a cara de quem tinha esperança...tive saudade  do “ Negão do Surucuá ”... no lugar de sua  morada... uma cruz...branca...não tão branca... perdeu a cor...  lembrei-me  do tom da  sua pele ... os cabelos ... pareciam teias...que mistério  trazia consigo ? Seja qual for ... levou ... em um dia de inverno...
Arranquei um pedaço daquela grama como se quisesse  espedaçar algo em minha alma... por falar em alma...procurei por ela...não estava...sempre que a procuro ...não está...deve estar no mundo da lua...ver se encontra não sei o que... dizem ...que ...em Creta ...tem um grande labirinto... onde o minotauro  se esconde ...  Ícaro está  por lá...voarei em suas asas...descerei  por  arco -iris... no topo das pirâmides...




                                                                        
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Um comentário:

Nádia Figueiredo disse...

Eu não gosto de frio! Os dias não tem cor, as pessoas parecem tristes, os animais desprotegidos e sempre uma preocupação do amanhã: sol ou tempestade, vai saber...