quarta-feira, 28 de agosto de 2013

...aires ...buenos ...aires......bons...ares...



...O ...
...Passado...
.. é...
.. o...
... Presente...
.. na...
... Lembrança...

Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
Que quem sou e quem fui
São sonhos diferentes.

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterônimo de Fernando Pessoa

...cheiro...

...de... infância...

...Heráclito ... diz... que ...tudo é dinâmico......não permanecemos ... idênticos ...o ...cosmos... é... uma eterna mudança...e ...se ...o ... rio ...muda a cada ... instante ...não sendo idêntico ...a si mesmo...nós somos... do mesmo modo...assim ... nos ...transformamos...somos diferentes ...a... cada... momento ...

...foi em busca... de lembranças   ...que voltei  ... ao ... jardim... da minha infância... jardim ... da  casa onde você nasceu ...

...impossível esquecer... tantos momentos ...  quantas historias ...fico a pensar  ...porque eram tão bons?... no seu nascimento  estava lá ?...  não só estava como morava ... ficamos na porta esperando ...tia Maria e eu... estava descalça ...como sempre ...

...usava  um vestido xadrez ...igual ao do gato... perez ...

...não lembro se era...chorão ...podia até ser  ... não ia ouvir seu choro ... a insônia passava longe de mim  ...

... brincamos muito no...jardim...

...você já estava grandinho  mudamos para um sitio perto da cidade...

...ao escrever me transporto para lá...

...vôo... nas asas de minha alma...

... está ...vivo... dentro de mim...

...vejo... o  ...pomar ... flores... na entrada da porta ...  uma  pequena ...escada ...terreiro pra secar café ...

 ...as festas juninas ... chá  de chocolate... a parte mais esperada depois das rezas...tudo feito... como mandava ...a ...tradição...

...logo adiante... um pequeno riacho ... não podíamos nem pensar em ir lá...proibido de todas as formas ... entendi anos depois que o lugar tinha muitas cobras ...

... o ...caipora... o nosso maior monstro da infância...

... sabe o que era ?...

...sentia-me feliz quando estava lá... só de lembrar me torno  ...feliz...

...outra vez ...

... feliz...

...eram  bons momentos ... ou... eu... os fiz bons ...em minha memória?.

... o ...caipora....  tornou-se insignificante  ... a vida nos proporcionou monstros maiores...

...somos capazes de... compreender que o passado  é alguns minutos atrás...

...podemos compreender ...

.... entender?...não ...

...uma parte se sua adolescência você passou comigo... sentiu minhas ... dores ...e ...alegrias...lembra da Neusa ?...

... a vida transforma ...sonhos... em... destinos....

...você  criou asas...voou... sobrevoou todos os horizontes ... viu céus...  de todas as cores...

... o cosmos  é uma eterna mudança...não somos os mesmos...

...o pequeno  ...  riacho...  que um dia ...  queríamos colocar nossos pés... provavelmente não existe mais... nossos pés  foram banhados por outras ... águas...

...se não somos os mesmos porque estou a procura daquelas águas?...  ....e o arrepio do medo ...do monstro da nossa infância?...

... depois de uma década nos encontramos...e ...quando abracei você ...senti o cheiro  tão gostoso do passado ... das flores ...do feijão com arroz...

 ...  do chocolate quente  depois das rezas....o gosto e o cheiro...

...das boas lembranças ...

 ... a água não é a mesma ...nem nós...

...transformamos... naquilo que somos...

... rever você ... te dar um  ...abraço ...apertado...me traz ....

....o cheiro da infância...

...tendo a certeza que nossas lembranças o tempo não transformou...

... um abraço...apertado ...

.... da sua sobrinha alguns mais velha...

    Antonia Elena

PS –O caipora que eles mostravam pra nós nada mais era que um pedaço de arvore queimada .

 

 

Poema
Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás
 
 




 

 
 
 
 

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